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  • Mônica Bergamo

EXERCÍCIO E INTESTINO / PARTE 2

Prevenção e gerenciamento de problemas intestinais no exercício!


No texto anterior vimos que as principais causas dos distúrbios gastrointestinais são: mudanças no fluxo sanguíneo para o intestino; respostas ao estresse e impactos mecânicos no intestino. Além disso, vimos que as complicações intestinais associadas ao exercício podem ser agravadas por uma ampla gama de fatores dentro do cenário de exercício.

Estratégias para identificar fatores causais e gerenciar complicações e queixas intestinais durante e após o exercício em atletas.


Problemas gastrointestinais precisam de avaliação completa!


Uma quantidade substancial de evidências anedóticas de praticantes de nutrição esportiva e de exercício relatam as frustrações dos atletas em tentar várias estratégias de prevenção e gerenciamento, sem quaisquer resultados positivos consistentes e / ou melhoria esporádica em um grande número de eventos. Considerando os diversos fatores que causam problemas intestinais em atletas, é claro que não existe uma estratégia única , e que uma intervenção sob medida para o atleta seja o melhor caminho. Avaliações individuais incluem: a compreensão do histórico de problemas intestinais recorrentes de um atleta, a realização de uma avaliação intestinal durante o exercício para identificar a causa e os fatores que pioram as complicações intestinais e as queixas durante o exercício, exames de sangue e testes diagnósticos mais especializados, como motilidade intestinal, composição da microbiota além da investigação de

alergias ou intolerâncias alimentares.


O papel dos oligo-di-mono-sacarídeos e polióis fermentáveis (FODMAP) no gerenciamento de complicações intestinais dos atletas durante o exercício.


Uma pesquisa recente revelou que dieta baixa em FODMAP (2g / dia), em 24h pré exercício, em comparação com uma FODMAP alta (47g), foi suficiente para reduzir as complicações intestinais durante a corrida de resistência no calor, reduzindo o grau de má absorção de carboidratos.

Outros estudos foram controversos ao concluírem que a dieta com baixo FODMAP induziu maior dano às células intestinais e maior perturbação da barreira sanguínea do intestino em comparação com a dieta com alto FODMAP. O efeito protetor de uma dieta rica em FODMAP nas células intestinais e na barreira sanguínea do intestino pode ser explicada pela alteração positiva na composição da microbiota intestinal (por exemplo, perfil de bactérias comensais vs.

patogênicas) (3).


Outras estratégias potencialmente benéficas:


Iniciar e manter a hidratação durante o exercício pode proteger contra danos às células intestinais e má absorção de carboidratos em comparação com a desidratação. Mas forçar o consumo de líquidos para manter a hidratação pode levar a complicações intestinais exageradas devido à sobrecarga do estômago. É necessário um equilíbrio entre hidratação e tolerância (4).

Apesar da necessidade de mais pesquisas nesta área, o resfriamento consistente do corpo internamente (por exemplo, bebidas frias) e externamente (por exemplo, banho frio) durante o exercício, e / ou seguindo protocolos de aclimatação ao calor, parece promissor na redução de complicações intestinais e queixas durante o exercício, principalmente quando realizado no calor (5).


Abordagens farmacêuticas:


Evite o uso de AINEs.

Os antieméticos podem ter um papel interessante na redução das náuseas (5).


Estratégias que não mostraram nenhum efeito substancial ou precisam de mais exploração:


Uma ampla gama de suplementos nutricionais foi proposta para reduzir complicações intestinais e reclamações durante e após o exercício (por exemplo, probióticos, glutamina, arginina, L-citrulina, antioxidantes, curcumina, nitratos, colostro bovino, etc). No entanto, grande parte das pesquisas está repleta de questões metodológicas previamente identificadas e exploradas (5,6). Com base nas evidências atuais, não há justificativa para recomendar o uso de suplementação nutricional para prevenção ou controle de problemas intestinais durante o exercício.


E o glúten?


As pesquisas mostram que a menos que o atleta seja diagnosticado com intolerância ao glúten ou doença celíaca, não há justificativa, neste caso, para a sua restrição dietética.


Embora ainda esteja em seu estágio inicial de pesquisa, o impacto da composição da microbiota intestinal sobre os problemas intestinais durante o exercício mostrou um papel potencial na modificação da microbiota intestinal para mitigar alguns desses problemas (7).


E a lactose?


Já foi sugerido que o leite antes e depois do exercício exacerbava as queixas intestinais relacionadas ao exercício. Evidências recentes foram controversas em estudo que ofertou um café da manhã com alto teor de lei te, 2h antes de corrida de resistência, sem evidência observada de má absorção em atletas saudáveis (4). Em outros estudos , a má absorção do leite foi semelhante a má absorção de bebidas com carboidratos e eletrólitos (isotônicos) (8).


Ainda não foi claramente determinado por meio de testes de pesquisa de laboratório controlados se o conteúdo de fibra e / ou resíduo de alimentos e / ou fluidos consumidos em horários próximos ao do exercício físico causam queixas intestinais que afetam o desempenho.


Com base nas evidências atuais, a melhor abordagem para resolver e controlar problemas intestinais durante o exercício em atletas envolve uma abordagem de 3 níveis:

  • Nível 1: Avaliação individual do atleta.

  • Nível 2: Prevenção individualizada.

  • Nível 3: orientação geral, que pode incluir (a)alimentação com porções pequenas e frequentes de carboidratos durante o exercício, dentro da tolerância individual; (b) mantenção da hidratação; (c) estratégias de resfriamento; (d) ingestão de fibra alimentar dentro do nível de tolerância individual;(e) evitar AINEs e (f) mantenção de contato com um médico esportivo e nutricionista quanto ao uso de antieméticos.

Outras investigações sobre o papel da modificação da microbiota intestinal para controlar complicações intestinais durante o exercício estão em andamento. No entanto, o aumento da diversidade α e a abundância relativa de bactérias comensais parecem proteger contra alguns efeitos prejudiciais do exercício no intestino; portanto, a ingestão predominante de alimentos vegetais, ricos em fibras e FODMAP dentro dos níveis de tolerância, fora dos períodos de

exercício é recomendada.


Referências

1-Costa, R.J.S., Miall, A., Khoo, A., Rauch, C., Snipe, R., Camões- Costa, V., Gibson, P., (2017). Guttraining: The impact of two weeks repetitive gut-challenge during exercise on gastrointestinal status, glucose availability, fuel kinetics, and running performance.

Appl. Physiol. Nutri. Metab. , 42(5):547-557.

2- Snipe, R., Khoo, A., Kitic, C., Gibson, P., Costa, R.J.S., (2017). Carbohydrate and protein intakeduring exertional-heat stress ameliorates intestinal epithelial injury and small intestine permeability. Appl. Physiol. Nutri. Metab. , 42(12):1283-1292.

3- Gaskell, S.K., Taylor, B., Muir, J., Costa, R.J.S., (2020). Impact of 24- hour low and high fermentable oligodi- mono- saccharide polyol diets onarker s of exercise- induced

gastrointestinal syndrome in response to exertional-heat stress. Appl.Physiol.Nutri.Metab. 45(6):

569-580.

4- Costa, R.J.S., Camões-Costa, V., Snipe, R.M.J., Dixon, D., Russo, I., Huschtscha, Z. (2019). The impact of exercise-induced hypohydration on intestinal integrity, function, symptoms, and systemic endotoxin and inflammatory responses. J. Appl. Physiol., 126(5):1281-1291.

5- Costa, R.J.S., Gaskell, S.K., McCubbin, A.J., Snipe, R.M.J (2020). Exertional-heat stress associat edgastrointestinal perturbations-mnagement strategies for athletes preparing for and competing in the 2020 Tokyo Olympic Games. Temp. 7(1):58-88.

6- Costa, R.J.S., Snipe, R., Kitic, C. Gibson, P., (2017). Systematic review: Exercise - induced gastro intestinalsyndrome - Implication for health and disease. Alim. The rap. Pharmacol. , 46(3):246-265.

7- Bennett C., Snipe R., Henry R., Costa R.J.S. (2020). Is the gut microbiota bacterial abundance and composition associated with intestinal epithelial injury, systemic inflammatoryprofile, and

gast rointest inal symptoms in response to exertional-heat stress? J Sci Med Sport. (In press).

8- Russo, I., Della Gatta, P.A., Garnham, A., Porter, J., Burke, L.M., Costa, R.J.S., (2021). Assessing

overall exercise recovery processes usingcarbohydrateand carbohydrate-protein containing

recovery beverages. Front.Physiol. (Revisions).



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